Hiroshi Bogéa – A ponte sobre o Rio Araguaia, que deveria ser o elo de desenvolvimento e integração entre Palestina (PA) e Araguatins (TO), tornou-se o símbolo máximo da negligência estatal. Sob a justificativa de “riscos estruturais”, o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) optou pela solução mais fácil para a burocracia e mais cruel para o cidadão: o bloqueio total e por tempo indeterminado.
O que se vê hoje na região não é apenas um problema de engenharia, mas uma crise humanitária e econômica a céu aberto. Imagens que circulam e o vídeo registrado em Esperantina (TO) não mentem: filas quilométricas sob o sol escaldante, motoristas exaustos e o retorno forçado a um passado que todos acreditavam ter superado — a dependência absoluta de balsas.
É inadmissível que um órgão federal do porte do DNIT chegue ao extremo de interditar uma via vital sem apresentar, em contrapartida, um plano de contingência imediato ou um cronograma célere de reparos. Bloquear uma ponte “por tempo indeterminado” é, na prática, lavar as mãos para as consequências sociais do isolamento.
O “pecado” que a população está pagando é o da falta de manutenção preventiva. Estruturas não apodrecem ou se tornam perigosas da noite para o dia; elas definham diante do olhar omisso de quem deveria fiscalizar. Agora, o custo desse descaso é transferido diretamente para o bolso do caminhoneiro, do produtor rural e das famílias que precisam atravessar a fronteira para serviços básicos de saúde e educação.
A alternativa via Esperantina, além de sobrecarregada, representa um gargalo que fere o direito de ir e vir. A balsa, que deveria ser um suporte, tornou-se o único suspiro de uma logística asfixiada. Enquanto o DNIT se cala em notas técnicas protocolares, o povo da fronteira Pará/Tocantins grita por socorro em filas que parecem não ter fim.
Até quando a estrutura da burocracia será mais rígida e insensível que o concreto das nossas pontes? A população não quer apenas avisos de interdição; exige respeito, máquinas na pista e a devolução do seu direito de circular.
As imagens do caos em Esperantina são o retrato de um Brasil que para por falta de gestão. O bloqueio da ponte Araguatins-Palestina é uma ferida aberta na economia regional que o governo federal precisa estancar com urgência.
Vídeo enviado gentilmente pela secretária de Administração de Augustinópolis, Josy Cruz, amiga de longas datas do blogueiro. (Foto: Reprodução)



