Hiroshi Bogéa  –  Tomei uma decidida resolução, daquelas que não nascem de um impulso de virada de calendário, mas de uma gestação cuidadosa. Escrevo neste momento  tentando capturar um sentimento de “missão” e o frescor de um 2026 que já começa com as mãos ocupadas.

Dizem que o ano novo inicia no primeiro de janeiro, mas para mim, 2026 nasceu em uma tarde qualquer de dezembro de 2025.

Foi ali, entre o calor do fim do ciclo e o balanço das contas emocionais, que assinei um contrato de exclusividade comigo mesmo. Sem cartório, mas com a solenidade de quem sabe que o tempo é o único artigo de luxo que não se recupera.

A decisão foi um “basta” gentil. Chega de deixar a vida passar em branco ou em silêncio. Decidi me medicar — não com fórmulas químicas, mas com a farmácia da alma: a música e a escrita.

Acordar nos primeiros dez dias de 2026 tem um sabor diferente. Não é apenas mais um ano; é o ano da grande tecelagem. O objetivo é simples na teoria e monumental na prática: usar cada um dos 365 dias para compor melodias que traduzam o que sinto e, principalmente, escrever.

Escrever, escrever, escrever.

Quero ser o cronista do detalhe. Quero registrar o cotidiano — o café esfriando, a luz que bate na janela em ângulo diferente conforme as estações mudam — mas sem esquecer a bagagem que carrego.

A experiência acumulada não pode ser um museu fechado; ela precisa ser pauta, debate, análise. Preciso, das profundezas de minha humildade, oferecer as lentes que levei décadas para polir.

Há algo de nobre em se dedicar à saúde através da arte. É um exercício que fortalece o espírito enquanto clareia a mente. E o plano não para na gaveta. Este ano, as páginas se organizarão em livros. É a minha contribuição, o meu rastro na areia antes que a maré suba.

Publicar não é sobre vaidade, é sobre diálogo. É dizer: “Eu vi o mundo assim, e você?”. É transformar a reflexão solitária em ponte.

Hoje, olho para os meses que se estendem à minha frente e não vejo apenas tempo, vejo partituras em branco e telas esperando o cursor piscar.

2026 não será o ano das promessas vazias, mas o ano da execução obstinada. Se a vida é o texto, eu decidi ser, finalmente, o autor da minha própria narrativa.

O remédio está na mesa: uma caneta, um violão e a vontade inabalável de não deixar nada passar sem registro.

E os trabalhos já começaram!