BELÉM – Por décadas, a trajetória da Cerpa (Cervejaria Paraense) confundiu-se com a própria identidade do Pará. Com suas garrafas retornáveis atravessando rios em barcos e estradas em caminhões, a marca chegou a deter 65% do mercado local no início dos anos 2000. Agora, prestes a completar 60 anos, a companhia decidiu inverter a lógica que a acompanhou por meio século: em vez de esperar ser descoberta pelos turistas que visitam o Norte, a Cerpa quer ir ao encontro do consumidor brasileiro.

O plano de expansão é ambicioso. A meta é dobrar a receita atual de R$ 300 milhões para R$ 600 milhões até 2030, com um potencial de vendas no varejo estimado em R$ 1 bilhão.

 

Estratégia: Menos Volume, Mais Margem

Para atingir essas cifras, a Cerpa aposta em uma mudança profunda no seu mix de produtos. A diretriz é clara: priorizar margem em vez de volume barato. A ideia é posicionar a marca no segmento premium, utilizando o prestígio que a cervejaria já possui fora do estado como um produto diferenciado.

Para viabilizar essa chegada ao restante do país, a empresa conta com um aliado de peso: a capilaridade do sistema Coca-Cola. A parceria visa alcançar até 30 mil novos pontos de venda fora da região Norte.

 

Expansão no Nordeste e renovação fabril

O Nordeste é a peça-chave imediata deste tabuleiro. A meta para a região é agressiva: saltar dos atuais 825 pontos de venda para 3.500 até 2026, se consolidando, inicialmente, no Ceará, Pernambuco e Alagoas.

Ao mesmo tempo, abrindo novas fronteiras nos Estados do Piauí, Rio Grande do Norte, Paraíba, Sergipe e Bahia.

Para sustentar esse crescimento, a unidade fabril às margens da Baía do Guajará, em Belém, que já passou por uma renovação em 2015, entra agora em uma nova fase de atualização tecnológica. Atualmente, a planta tem capacidade para produzir 1 milhão de hectolitros por ano.

Se a COP30 transformou o Pará em vitrine internacional, a Cerpa quer aproveitar o momento para se tornar a vitrine empresarial do estado no restante do país.