Hiroshi Bogéa On line

Suruba mental de professores cria ´babado´ na universidade

A inscrição em caneca para evento festivo na Unifesspa está causando alvoroço.

Uma simples brincadeira de palavras usando metáforas “agrediu” o “espírito puro” de alguns dirigentes do Instituto de Estudos em Saúde e Biológicas (IESB), que agrega a comunidade acadêmica dos cursos de Biologia, Psicologia e Saúde Coletiva.

Tudo começou quando alunos do curso de Saúde Coletiva criaram recentemente um centro acadêmico e a caneca foi produzida pelos estudantes para arrecadar fundos (modelo abaixo)

 

Assim, como é feito em outros CAs e atléticas, a caneca tem uma frase de cunho sexual.

Inclusive, os outros cursos do Iesb já produziram canecas com conteúdos semelhantes (abaixo), conforme repassou ao blogueiro um aluno do Centro Acadêmico.

 

 

 

Quando os alunos divulgaram a imagem da caneca, parte do corpo docente do curso resolveu se envolver, embora em nenhum momento os alunos tenham pedido a opinião ou tentado vender caneca para o corpo de professores – garante uma aluna conversando com o blog.

 

Ora, ora, ora, a frase tem nítida definição inspirada no sentido do próprio curso de Saúde Coletiva.

Um jogo de expressão usando  a frase “Se sexo é saúde, suruba é Saúde Coletiva”, fortalecendo a própria destinação do curso.

Uma figura de linguagem criativamente colocada para ratificar sua importância.

Frase, inclusive, publicitária.

Mas…  para quê?

Bastou a ideia correr no meio acadêmico, imediatamente alguns professores que compõem o Iesb se sentiram na “responsa” de condenar a proposta, usando seus “superpoderes” de gestores do apocalipse.

Emitiram uma nota que foi, ora vejam, distribuída em redes sociais!

Levaram à público um assunto que só cabia ao alunado do Saúde Coletiva, empolgados com a aproximação da conclusão do curso e, ao mesmo tempo, ansiosos para arrecadar fundos destinados às solenidades de formatura, e para estruturação do centro acadêmico.

O que mais me deixa estupefato  nesse desnecessário babado criado pelos dirigentes do IESB, é que entre os professores que colocaram suas assinaturas para oficializar o cerceamento aos jovens acadêmicos,  tenho muitos amigos – pessoas que prezo e jamais pensaria teriam a coragem de colocar seu chamegão naquela baboseira.

O documento é uma condenação, uma censura, uma advertência subliminar aos alunos.

Não existe boas faculdades sem dosagem exagerada de humor, da ludicidade e das brincadeiras da juventude.

Causar frisson o tema sexo, nos dias atuais, dentro da academia, é inaceitável, principalmente partindo de um instituto que  coordena ações de cursos Biológicos.

Fora da Universidade, pode-se aceitar o aspecto tabu que o tema recorre, mas dentro da Academia, não!

Quando professores  cerceiam ideias e discussões – não importa qual origem – universidades sacrificam seu objetivo principal de avançar as fronteiras do conhecimento humano e comunicar o que aprendemos

Há informações de que os apoiadores do texto autoritário  tentam agora justificá-lo usando argumentos de que  a nota leva em conta  o momento político, e que a frase serve somente para denegrir a imagem da Universidade pública e dar razão a quem apoia seu desmonte.

Meu Deus!

Colocar a canga no cangote dos acadêmicos, condenando-os a não viver intensamente a essência da universidade, muitas vezes,  representada na troca de sociabilidade, nos encontros festivos, etc., é um ato de autoritarismo  – e reforço a quem deseja realmente destruir a universidade pública.

Ninguém pode privar, proibir, censurar as atividades extra curriculares dos alunos, principalmente professores.

Muito menos dirigentes de institutos.

Como bem disse um aluno do Saúde Coletiva, “ por que  o próprio diretor do iesb que é do curso de Biologia, não fez nota alguma em relação a caneca deles, que apresenta conteúdo bem semelhante e foi lançada na época do carnaval? “

Boa pergunta.

Por que “se meter ” na caneca de outro curso?

A Unifesspa é uma entidade de ensino superior que vem dando provas de que realmente já é uma excelência.

As notas positivas do MEC  avaliando o desempenho de alguns cursos,  é a maior prova.

Essa performance não pode ser descaracterizada pela intolerância e autoritarismo de alguns professores.

E quanto a suruba?

Bem, esse tema serviu de discussão no papo reto – como se diz – que este irrequieto blogueiro travou com 16 alunos e alunas, na manhã desta terça-feira, 3, na Unifesspa.

A pergunta foi direta e as respostas – tenho certeza – também refletiram sinceridade e transparência.

– Você já fez suruba?, a frase foi solta para todos.

Ninguém, no grupo, fez.

E nem passa pelas suas cabeças, embora todos também garantam respeitar quem fez ou faz.

Sexo bom é a dois, foi a resposta unanime.

Ou seja, suruba, de verdade, quem praticou foi a mente intolerante de alguns professores.

———————–

Atualização às 17:14

Como diz o texto acima, a proposta da inscrição na caneca nos moldes da foto está em avaliação, porque nem todos os universitários do Saúde Coletiva concordam.

Há discussões internas sobre a questão.

Da mesma forma, nem todos os professores do curso também concordaram com a publicação da nota do Iesb.

Fica o registro para que não surjam vozes dissonantes afirmando que o blogueiro  sustentou no post unanimidade em torno da questão.

Se algum professor, dirigente do Iesb e aluno quiserem se manifestar, basta enviar nota que o blog publica.

Post de 

3 Comentários

  1. Ricardão

    5 de dezembro de 2019 - 00:52 - 0:52
    Reply

    Um absurdo esse tipo de manifestação de uma entidade que deveria respeitar as manifestações dos acadêmicos. O blog está correto em acompanhar o caso da forma que publicou. Parabéns!

  2. A.S.A (Apinajé)

    4 de dezembro de 2019 - 20:34 - 20:34
    Reply

    O ser humano é o mais bizarro dos animais da face desse planetinha tão vilipendiado.
    Em tempos de redes sociais onde curtidas valem grana,as amizade e amores são virtuais,jovens ingressão na “academia”com a pré disposição de lacrar,não é de se admirar que a massa de diplomados sem o devido conhecimento, encontre sérias dificuldades ao chegar no mundo real e profissional,onde o respeito e disciplina são necessários.
    Ao meu ver,o que parece uma simples brincadeira com bobagem explícita,no fundo,escancara o nível rasteiro de parte dos formandos do nosso país,posso quase que afirmar os líderes dessa “brincadeira”passam longe de serem os melhores alunos,(em aplicação)É isso,infelizmente não é um fato isolado,a juventude brasileira em boa parte ,acredita que, academia é aquela de levantar maromba, exercita-se todos os grupos musculares,glúteos etc…Esquecem-se de exercitar o cérebro,enfim cada um chama a atenção com o que tem de melhor.

  3. Adelina Braglia

    4 de dezembro de 2019 - 14:46 - 14:46
    Reply

    A moral e os bons costumes, na frente do altar. A mesma que considera baile funk uma reunião de malfeitores, mulheres na rua de madrugada prostitutas, e adoram a prevaricação atrás do altar. Suruba é ato de vontade. O que eles pensam do “estupro porque estava de saia curta”? Beijos.

Leave a Reply to Adelina Braglia

Cancelar resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *