Hiroshi Bogéa On line

Sepultamento dos ambientalistas

 

 

Durante toda a madrugada, centenas de amigos e populares marcaram presença no velório dos líderes extrativistas José Cláudio da Silva e Maria do Espírito Santo Enterro, velados na Nova Marabá.

O enterro do casal ocorrerá esta manhã, às 10 horas, no Cemitério da Saudade.

Ontem, a Associação Nacional dos Procuradores da República divulgou nota lamentando os assassinatos de Cláudio e Maria, apoiando “investigação rigorosa de assassinato de castanheiros no Pará, a punição de todos os responsáveis por mais este crime contra os direitos humanos e o desenvolvimento sustentável da Amazônia”.

Segundo a ANPR, José Cláudio e Maria do Espírito Santo eram defensores da Floresta Amazônica e do desenvolvimento sustentável. Ambos combatiam e denunciavam as explorações ilegais de madeira. Por conta das informações e do trabalho ativo na defesa do meio ambiente, madeireiras irregulares foram fechadas e investigações policiais iniciaram-se para apurar os crimes ambientais. Muitos dados foram encaminhados ao MPF em Marabá, que serviram de base para ações no combate à degradação da Natureza.”

Nota prossegue dizendo que “a defesa do meio ambiente fez mais duas vítimas na região Amazônica, que já teve a luta de Chico Mendes e de Irmã Dorothy Stang encerradas por quem não admitia manter a floresta íntegra, como pressuposto para a geração de emprego e renda para os amazônidas.”.

Nota é assinada por Alexandre Camanho de Assis, Procurador Regional da República, Presidente da ANPR

Post de 

2 Comentários

  1. João Dias

    27 de maio de 2011 - 12:41 - 12:41
    Reply

    Caro Iroshi,

    O crime organizado da floresta encontra as suas raízes na Lei nº 4.771, de 15 de Setembro de 1965, com a Instituição do Código Florestal, combinado com a Lei 9.605, de 12 de fevereiro de 1.998, que trata dos crimes ambientas. Essas são, entre outras, as duas grandes armas de que dispõem os profissionais que atuam nessa atividade. Os órgãos federais, estaduais e municipais constituídos, não conseguem dar eficácia aos mandamentos legais.

    Lembro que até os anos 70, quando ainda não tínhamos a Transamazônica, a atividade econômica extrativista de Marabá era o fruto da castanheira. Existiam tantas quantas, as estrelas no céu. Não tinha valor econômico. Nas décadas seguintes a atividade se diversificou e, hoje, é possível contar nos dedos o número e a região onde a árvore ainda pode ser encontrada.

    Nesse processo, o crime foi se especializando e evoluiu da atividade extrativista para outros subprodutos de maior lucratividade que, naquele momento, era até incentivado pelos governos, de forma a integrar para não entregar, ultrapasando a fronteira da legalidade no trato com a floresta.

    Atualmente, dada a atitude corajosa de alguns ativistas, ambientalistas e preservacionistas da região, comprometidos com a defesa do meio ambiente, principalmente das espécies em extinção, esse “Homem” resistente passou a substituir a castanheira, o cedro, a andiroba, etc., e pagam com a própria vida o enfrentamento desigual, do corpo com a bala traiçoeira.

    A investigação desse crime, por mais que o criminoso (s), seja o objeto da ação policial, deve ter em conta que, a estrutura e o modo de operar do crime organizado, voltado para esse tipo de atividade, não visa exclusivamente este, esse ou aquele colono, mas, se a área em que eles estão assentados, tem ou não árvores para serem derrubadas, comercializadas. O cultivo sustentável não lhes interessa, eles não são colonos, não vivem aí. Contratam profissionais do crime para executarem o opositor.

    Não sou autoridade policial nem governamental para traçar as diretrizes e elucidar o crime mas, uma opinião merece ser manifestada: Aquela região, como divulgado pela mídia, é área de assentamento com propósito de conservação e desenvolvimento sustentável. Ainda tem muitas castanheiras e outras madeiras de lei, muitos colonos e seus familiares residem nessa região e dela tiram seu sustento, portanto, será motivo permanente de novos assassinatos, pouco importando quem morreu ou quem matou, prevalecerá sempre o império do crime organizado.
    João Dias.
    Sds. democráticas

  2. Anônimo

    26 de maio de 2011 - 03:27 - 3:27
    Reply

    Hiroshi. Primeiro lamento profundamente a perda dos camaradas que morreram em combate em defesa de uma causa que é a dos povos da floresta. Segundo, tenho convicção, que, a exemplo Chico Mendes e Irmã Dorothy, esse crime covarde será esclarecido o mais breve possível. e os responsáveis presos.
    Hiroshi, os idiotas covardes, que não tem nenhuma responsabilidade com o ar que respiramos, e que acham que boi, carvão e madeira é a solucão pra tudo, pensavam que matando o Zé Cláudio e dona Maria, o caminho ficaria livre para a cruel exploração da floresta, e que estaria matando um Zé ninguém, se deram mal. Primeiro por que, se as regras de utilização do PAE – Assentamento Agro-extrativista andavam soltas sem o olhar atento dos órgãos de fiscalização (ibama, sema, incra, mpf …) agora vai acontecer o contrário, as portas vão fechar, e segundo, o assassinato dos líderes tombados em combate, vai fazer com que a oganização do movimento social se rejuveleça e reorganize na assentamento. E o por último, Zé Cláudio e dona Maria não eram Zé ninguém como pensavam, gerou repercursão internacional, alimentando assim a necessidade de se fazer justiça, tanto é que a pf e pc estão envolvidos no processo para a elucidação do caso.
    vamos a luta. Zé Cláudio e dona Maria vivem na luta dos povos da floresta.
    Um abraço, Esperamos justiça.

Leave a Reply to João Dias

Cancelar resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *