Hiroshi Bogéa On line

Convenção do MDB: críticas da vereadora Cristina Mutran ainda repercutem nos meios políticos

Não era bem o que se esperava de uma convenção partidária cuidadosamente organizada para potencializar o momento pelo qual o partido experimenta a condição de comandar, outra vez, a vida administrativa do Estado,  depois de mais de 30 anos fora do poder.

Dante de uma Câmara Municipal empilhada de gente (comentava-se ter sido o maior público presente ao plenário da CMM dos últimos anos em ato partidário – foto acima), a vereadora Cristina Mutran, uma das lideranças do partido no município, quebrou o “protocolo”.

Dirigindo-se ao deputado estadual Chicão, eleito por Ananindeua, Cristina (foto ao lado)  foi incisiva, ao desatar insatisfações da base do partido, no município, com a forma como os cargos do Governo Estadual foram distribuído, em Marabá:

 

-“Gostaria de pedir ao deputado Chicão, porque eu sei de sua ligação de amizade com o governador Helder Barbalho, intercedesse junto ao nosso governador no sentido de dar maior espaço aos emedebistas do nosso município. Isso é um clamor, o clamor é geral! Espaço para os emedebistas no município de Marabá, porque o que nós estamos vendo não  é o que gostaríamos de ver após mais de 20 anos ausentes de qualquer coisa relativo ao governo. Quando sabia-se que era do MDB, ficava marginalizado, tinha as portas fechadas”.

 

Em outro trecho do discurso, Mutran ressaltou a luta que emedebistas históricos travaram, na última eleição, para ajudar na eleição de Helder:

 

– “Com a eleição do governador Helder Barbalho, todos nós acreditávamos que os emedebistas, aqueles que foram às ruas levando o nome do Helder para o governo do Estado; aqueles  que foram às ruas suando as suas camisas, para ver o Helder no Governo do Estado, eles achavam que iriam ser enxergados. Mas isso não aconteceu. Talvez esteja havendo alguma falha lá em Belém… alguma coisa está acontecendo que ele não está medindo  a gravidade do seu ato, a gravidade da sua ação para com os seus companheiros leais, companheiros que vem  desde a época do seu pai, Jader Barbalho. Existem pessoas aqui que acompanham Jader Barbalho, que se  encontram no MDB de Marabá há mais de 30 anos. Agora me digam: nós estamos satisfeitos com o tratamento que estamos recebendo por parte do governo do Estado? Nós não estamos satisfeitos, mas nem por isso estamos deixando de lutar, brigando pelo fortalecimento do MDB. E é justamente essa convenção que vai ser o ponto de partida do MDB, para o fortalecimento do MDB de Marabá, que nunca esteve, em toda a sua história (eu estou falando do MDB de Marabá!) como se encontra nesses dias. Paradoxalmente, no momento em que o nosso partido tem o governo do Estado. Esse é um desabafo, embora esta noite seja um dia festivo, nós estamos festejando nossa convenção, mas nós precisamos também falar das nossas magoas, sem que isso signifique que estejamos com intenção de deixar o MDB. Ao contrário, nós queremos que o MDB encontre o rumo certo”.

No centro da mesa: deputado Chicão, João Chamon Neto, reeleito presidente, e deputado Chamonzinho. Vê-se também, mais à direita, o ex-prefeito de Marabá, Nagib Mutran, esposo da vereadora Cristina Mutran.

 

Muito aplaudida, Cristina  foi recepcionada por dezenas de correligionários, elogiando a postura da vereadora em expor a insatisfação da base.

Trocando em miúdos: o discurso da parlamentar foi uma estocada nos critérios adotados pelo governo do Estado para fazer as nomeações dos cargos no município, beneficiando, segundo emedebistas históricos, em sua maioria políticos que não tem nenhuma ligação com a legenda e que, na eleição para o governo, “ficaram em cima do muro”.

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1 Comentário

  1. Luis Sergio Anders Cavalcante

    5 de outubro de 2019 - 17:16 - 17:16
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    Sr.Hiroshi, há um visível, quase palpavel, desgaste da família Mutran em termos políticos internos do MDB marabaense. A Ver. Cristina é unica representante da família, que ainda apresenta, digamos, musculatura representativa em termos de votos. Os demais, estão, e ao que parece, continuarão no ostracismo. Isso, tem reflexo negativo e direto, na autonomia para indicação de cargos em órgãos. Político sem mandato manda pouco ou quase nada. Lamentavel…. 05.10.19, Mba.-PA.

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