Hiroshi Bogéa On line

Ocupação do IFPA de Castanhal vira laboratório de estudos e de ações de cidadania

“E esses meninos e essas meninas estão armados. Suas armas são as ideias que carregam, são o verbo que corta, a voz que inflama. Estão armados, eles. Trazem consigo a arma mais poderosa que há. Como em Pessoa, trazem em si todos os sonhos do mundo.

Parece que saíram de algum poema, esses meninos, essas meninas. Parecem que saíram de algum poema, para em tempos de tanta escuridão, de noite tão comprida, correrem pelas esquinas do Brasil, chamando pela aurora, acendendo as manhãs.” (Professor Joan Edesson de Oliveira *)

 

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Embora enfrentem diariamente esforços da mídia para criminalizar a ocupação, alunos do Instituto Federal do Estado do Pará, campi Castanhal, dão exemplo de como a consciência da classe estudantil derrota, diariamente, os militantes do retrocesso.

Em Castanhal, a resistência jovem – lembrando a histórica ocupação das ruas de Paris pelos universitários franceses, em 1968 (*)  – continua mantendo o IFPA ocupado, promovendo debates, ações culturais,  e diversas outras atividades.

O amor e a preocupação com o futuro da escola foram demonstrados no final de semana que passou, quando os estudantes promoveram serviços de manutenção  das tomadas e limpezas dos filtros do bebedouro da instituição federal.

 

No sábado, 12, os jovens promoveram na instituição ocupada, ciclo de debates sobre a  “ATER no contexto da Crise Brasileira”,  abordando  os efeitos das medidas impopulares do Governo Temer e do Congresso Nacional.

No dia anterior, passeata com mais de mil jovens percorreram as ruas da cidade mostrando a força do movimento de ocupação, e convidando a comunidade a participar dos atos der cidadania.

Ocorreu também concentração na Câmara de Vereadores de Castanha. em grande ato unificado pelo “Fora Temer e Não a PEC 55 e em defesa da redução do salário dos vereadores do município.

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(*) –  Em 1968,  estudantes  universidades localizada nos arredores de Paris protestaram contra a proibição de alojamentos com homens e mulheres numa escola de ensino superior localizada nos arredores de Paris.

Animados pelo movimento, os estudantes franceses passaram a ir às ruas para buscar mudanças políticas, culturais e sociais, durante o mês de maio de 1968.

Os protestos ganharam mais força, após o fechamento da Universidade de Sorbonne.

Os estudantes passaram a pedir pela renúncia do então presidente Charles de Gaulle, que estava no poder desde 1958.

O movimento passou a ter o apoio dos operários, que aproveitaram o momento de revolta para iniciaram a greve mais longa e mais profunda da história da França, envolvendo 9 milhões de trabalhadores.

A luta chegou à radicalização quando os estudantes organizaram barricadas nas ruas de Paris, para enfrentamentos às forças policiais.

Além de influenciarem outros setores da sociedade, os movimentos dos estudantes franceses também são considerados como motivação para vários outros movimentos de jovens em outros países, como Estados Unidos, México, Itália, Brasil, entre outros.

De Gaulle acabou convocando eleições presidenciais.

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1 Comentário

  1. Ângelo Carvalho

    14 de novembro de 2016 - 13:51 - 13:51
    Reply

    Esses meninos e essas meninas saíram das entranhas da poesia dos sonhos de outro mundo, outro Brasil e outra Amazônia possíveis! ! E assim seguem esses jovens escrevendo outras páginas da história.

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