Hiroshi Bogéa On line

Educação ainda é a principal arma contra mortes no trânsito

Relatório divulgado no mês de maio pela Organização Mundial da Saúde (OMS) mostrou que a principal causa de morte de jovens, entre 10 e 19 anos, é acidente de trânsito. No Pará, os jovens adultos, na faixa etária entre os 21 e 30 anos, lideram o número de mortos em acidentes de trânsito. Em 2016, foram 131 vidas perdidas, numa escala entre 1 e mais de 60 anos. Já nos três primeiros meses deste ano, do total de 320, a maioria deles, 35, estava nessa mesma faixa etária. É justamente para prevenir a perda de outras vidas, que o Governo do Estado e o Detran lançaram nesta sexta-feira, 23, a Campanha de Trânsito para os meses de junho e julho, focada especialmente na educação. Nesta entrevista, o coordenador de Educação para o Trânsito do órgão, Waldemir Monteiro, detalha as ações que serão usadas para tentar diminuir o número de acidente e, consequentemente, de óbitos, durante esse período. (Agência Pará)

Qual será o ponto central da campanha de educação no trânsito lançada pelo Detran este mês?

Começamos com o lançamento da campanha em Belém e, em seguida, ela será desenvolvida principalmente em balneários com o apoio de agentes de educação para o trânsito, entregando folders e alertando sobre o uso correto dos equipamentos de segurança. Também será realizado curso de formação profissional para mototaxista em Salinópolis, gratuitamente.

A forma de se trabalhar os vários entes que compõem o trânsito da cidade precisa ser diferente, ou seja, a forma como se aborda o pedestre é uma, a maneira de trabalhar com o condutor é outra, ou ainda o ciclista, e assim sucessivamente?

Sim, até porque cada veículo exige um tipo de equipamento de segurança. No caso das motos, o capacete; dos carros, o cinto de segurança, enquanto que no caso dos ciclistas é importante usar o capacete e ter uma bicicleta em bom estado. Com relação ao pedestre precisamos trabalhar a questão da faixa de pedestre, sempre obedecendo ao semáforo.

Um ingrediente a mais e cada vez mais presente no trânsito nos últimos anos tem sido o celular. De que forma o Detran tem procurado trabalhar esse item em suas campanhas educativas?

Trabalhamos sempre orientando o usuário a não utilizar o aparelho celular ou qualquer outro equipamento de comunicação que possa causar distração enquanto estiver na direção. Procuramos fazer isso em nossas abordagens educativas e na distribuição de material educativo.

Como será a atuação do Detran a partir do lançamento da campanha este mês? O que já está programado?

Vamos intensificar nossas ações de educação nas vias, nas escolas públicas e particulares e também em balneários. Além disso, vamos oferecer um curso gratuito profissionalizante para mototaxistas de Salinópolis durante o mês de julho.

Existem pontos chamados críticos em Belém com relação a acidentes de trânsito?

Sim. Podemos destacar a Avenida Augusto Montenegro, a Pedro Alvares Cabral e Almirante Barroso, por conta, inclusive, do maior fluxo de veículos nessas avenidas

Há um dia da semana ou um horário em que os acidentes costumam ser mais comuns?

Não há um dia específico, o que temos são horários, como entre 7h e 8h da manhã e entre 17h e 19h, devido ao aumento de fluxo de veículos nesses períodos do dia.

Como é feita a preparação das equipes que atuam nas campanhas de trânsito durante o veraneio?

As equipes são capacitadas pedagogicamente durante o ano todo, até porque existem várias campanhas educativas na Região Metropolitana de Belém e no interior do Estado.

Existe um perfil de condutor que ainda é muito difícil trabalhar nessa questão da educação no trânsito, por exemplo, aquela pessoa que já dirige há muitos anos e acredita que não precisa aprender mais nada, ou ainda, o jovem, normalmente destemido, que por sua própria natureza está mais aberto a ousar, inclusive no trânsito?

Sim. Um dos perfis mais difíceis de trabalhar é o do motociclista, por vários motivos, mas principalmente pelo fato de se recusarem a usar o capacete, fazer uso incorreto do calçado e até mesmo levar excesso de pessoas nesse veículo.

A punição, como multas, continua sendo uma forma eficaz de fazer as pessoas obedecerem às regras do trânsito? Que outras formas também são eficazes?

Infelizmente sim. Mas com as ações educativas, seja nas abordagens feitas nas vias ou naquelas desenvolvidas dentro das salas de aula, estamos conseguindo obter resultados considerados muito eficientes.

Existe uma mudança no comportamento do condutor em relação a dirigir na cidade e nas estradas?

Na cidade, por conta do grande número de veículos, há mais cuidado e atenção na direção. Já nas estradas a velocidade aumenta devido ao número reduzido de veículos e a atenção tende a ser menor.

Um dos desafios do trânsito das grandes cidades tem sido equalizar os vários entes que compõem esse trânsito, para construir uma convivência harmoniosa entre todos. Ainda estamos muito distantes disso?

Acredito que não. Tudo passa pela educação e o respeito ao outro, e tudo isso deve ser exercido todos os dias, com finalidade de termos um trânsito mais harmônico e seguro.

Autor 

0 Comentários

Deixe seu Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *