Hiroshi Bogéa On line

Compartilhar fotos de vítimas de tragédia, além de falta de respeito também é crime

 

Nos últimos dias, fotos publicadas em redes sociais em variados planos, de pessoas vítimas de acidentes nas rodovias próximas a Marabá, causaram revolta e indignação.

Num dos acidentes ocorrido na área urbana do Assentamento 1º de Março, rodovia Transamazônica, quando cinco pessoas perderam a vida, chegaram ao absurdo de mostrar os corpos carbonizados em plano totalmente aberto, explicitando o tamanho da violência – e da falta de sensibilidade humana.

É preciso  ampla campanha de divulgação para que as pessoas deixem de colher imagens de acidentes e situações de vítimas para expor as mesmas nas redes sociais, simplesmente para mostrar que estão naquele local, sem se preocupar com quem está sofrendo com a situação ou já morreu.

É um desrespeito total para com o ser humano, como afirmam agentes assistenciais que trabalham no Samur.

Falando sob condição de anonimato,  uma enfermeira do serviço de atendimento de emergência explica que qualquer pessoa tem celular com câmera fotográfica e filmadora, “e chega filmando sem pedir licença, às vezes até atrapalhando nosso trabalho de resgate”.

Nesses casos, o que a grande maioria não sabe é que publicar fotos sem consentimento da vítima e do profissional atendente, é crime.

São esses profissionais do serviço de atendimento pré-hospitalar móvel que  vivenciam diariamente, situações em que curiosos acabam interferindo no trabalho, fotografando e filmando situações em que as vítimas não têm escolha, sem importar com a dignidade de ninguém.

E o que é pior: quanto mais chocante a situação, mais essas imagens são exploradas.

A situação de morbidez e falta de solidariedade muitas vezes chega aos extremos, com pessoas fazendo selfies na frente de vítimas ou veículos destruídos.

Outro agente do SAMU disse ao blogueiro que ficou chocado com uma cena que nunca esquece, de um rapaz segurando a cabeça do pai todo ensanguentado, com ferimentos muito graves, dentro de um carro e várias pessoas fotografando e filmando, sem preocupar em ajudar ou conversar com o rapaz desesperado que aguardava a ambulância.

“Ninguém está preocupado com os familiares que vão ver as vítimas naquela situação desesperadora”, indigna-se.

Imagine a cena: você e sua família, hipoteticamente vítimas de um acidente grave, presas nas ferragens, conscientes e sem poder fazer nada para chamar ajuda. De repente, você vê pessoas chegando e passa a ter esperança de que tudo vai ficar bem, pensando que essas pessoas irão acionar os serviços de atendimento.

Nada disso ocorre: as pessoas vão se aproximando só para filmar ou fotografar a sua situação e postar nas redes sociais.

Infelizmente, é isso o que vem ocorrendo corriqueiramente nos atendimentos de emergência.

O blog orienta aquelas pessoas vítimas de exposição de imagens em redes sociais sem sua autorização a registrarem queixa na  Polícia para apuração, identificação da autoria e produção de provas para uma ação penal contra o acusado.

Para isso é preciso guardar todas as provas, tirando print das telas, fotos e imprimir todo o material possível.

O Artigo 5º da Constituição Federal  afirma que “são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurando o direito a indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação.”

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1 Comentário

  1. Bressan

    7 de março de 2018 - 09:10 - 9:10
    Reply

    Verdade Hiroshci. Há uns quatros anos sofri um acidente no trecho urbano da transamazônica. Com ferimentos leves fui colocado na maca do SAMU e imobilizado. Várias pessoas bateram fotos do carro e minhas estirado na maca. Alguém comentou que eu tinha morrido. Como estava vivo tratei de logo desmentir. Porém, “Passados vários dias eu via o espanto das pessoas ao encontrar na rua ou supermercados. Diziam: Meu Deus, pensava que você tinha morrido”

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