Hiroshi Bogéa On line

Academia propõe voto nulo para eleição do primeiro Reitor. Processo eleitoral é classificado de “golpe”

A paz não existe mais dentro da Universidade Federal do Sul/Sudeste do Pará.

A comunidade acadêmica está em pé-de-guerra contra a forma como o ex-Reitor pro-tempore, Maurílio Monteiro, conduziu a formação de chapa única para a disputa da primeira eleição para a direção da Unifesspa.

Abertamente, a comunidade classifica a eleição como “golpe dentro do golpe”, e lançou campanha pelo voto nulo.

 

Dito como “manipulado”, o  assunto virou tema de debate nas redes sociais.

Leiam, abaixo,  a “Carta á Comunidade Acadêmica”, subscrita por centenas de acadêmicos, denunciando o processo eleitortal e proclamando a prática do voto nulo.

 

 

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Carta à Comunidade Acadêmica

Defesa da democracia exige uma universidade democrática

Diante da atual conjuntura em que a comunidade da Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará se encontra, levados a eleger o primeiro reitor, sentimo-nos instados a propor uma reflexão acerca do processo de consolidação dessa instituição, na tentativa de ultrapassar os discursos circulados na contingência de um momento de campanha, em que se expõem as fraturas das contradições que sustentam o projeto de universidade anunciado nesse momento eleitoral. Num cenário de golpe e de obstrução dos processos democráticos por que passa a sociedade brasileira, e enquanto atores diretos da dinâmica universitária, não poderíamos deixar de refletir, criticamente, sobre as condições em que se dá o processo de eleição que nos impõem e que expressam, exemplarmente, os atos de condução da UNIFESSPA, atos que se manifestaram desde o momento de aprovação de um Estatuto, dito provisório, sem a devida discussão com a comunidade universitária.

Passados três anos de sua nomeação, o reitor pro-tempore, cuja principal tarefa seria encaminhar o processo de Estatuinte da Universidade, apresenta ao Conselho Universitário (CONSUN) sua renúncia ao cargo para o qual fora nomeado, com a justificativa de que a UNIFESSPA poderia sofrer um processo de “intervenção”administrativa, ou seja, um “interventor” poderia ser nomeado pelo golpista Temer, retirando-lhe, portanto a condição de reitor (mas não seria ele mesmo um interventor, já que não fora eleito?). Em reunião convocada extraordinariamente cujo único ponto de pauta (e não poderia ser diferente, tratando-se de reunião extraordinária!!),era sua renúncia, de forma golpista, sob a justificativa de intervenção, imediatamente, dois outros pontos de pauta são inseridos na reunião (extraordinária!!!), violando a pauta originalmente proposta. Os pontos foram: 1) a aprovação do nome do decano do CONSUN para assumir o cargo de reitor pro-tempore em vacância, de forma extemporânea, sem dar chance à comunidade de refletir sobre a nova situação apresentada: i) a aprovação de comissão eleitoral para propor minuta de regimento para eleição. Essa breve descrição mostra o aligeiramento dos processos a que a comunidade universitária vem sendo submetidanesses três anos, cuja intenção foi sempre legitimar ações por processos que se fizeram passar como democráticos.

Estes são exemplos mais recentes de como os princípios norteadores de uma real democracia estão sendo anulados sem quaisquer constrangimentos e, principalmente, avaliados e validados como aceitáveis. Diante de tal procedimento, torna-se perceptível que o tempo de realização do pleito para ocupação do cargo de reitor na Unifesspa foi concebido, estrategicamente, como forma de obstruir espaços amplos dedebates, questionamentos, reflexões e proposições para uma Universidade que, de fato estivesse em consonância com os anseios da sua comunidade acadêmica. Numa outra concepção de construção de universidade, as eleições não aconteceriam na velocidade e na urgência como esta vem sendo imposta, pois deliberações importantes, quando feitas às pressas, ‘a toque de caixa’, evidenciam o caráter autoritário imposto ao processo. É um tempo para não dar tempo! Numa outra concepção de universidade o amplo espaço e o incentivo ao debate se configurariam, sim, como resistência aos ditames do governo golpista. No entanto, o que prevaleceu foi o discursos do medo, do terror para fazer passar golpe sobre golpe!!!

A defesa de um projeto de Universidade pautado em princípios democráticos requero embate franco e aberto de forças e opiniões, sugestões e críticas, pois ao contrário,o que prevalece é a imposição do que parece ser o melhor, o mais adequado, o possível pelas circunstâncias. E assim, pela ligeireza do processo, não há tempo para a construção de um ambiente democrático, em que as vozes Unifesspianas (Alunos, Professores e Técnicos Administrativos) tendem a continuar à mercê das tomadas de decisões fechadas que determinam os rumos da Universidade.

Tese sem antítese não gera síntese, como diria Marx! Administração sem crítica não assegura democracia, mas sim, ditadura de consenso! A reprodução de velhas e conhecidas práticas que estruturam o sistema político brasileiro insistem em se fazer presentesna UNIFESSPA, como, por exemplo, o clientelismo e a cooptação de apoio, o que é inaceitável em qualquer espaço público, sobretudo, numa instituição universitária. Além disso, é inconcebível tal prática para a legitimação no poder administrativo fundada numa suposta medida de resistência. Que resistência?

A produção da resistência ao golpe dado em nível nacional não pode se pautar num golpe à comunidade acadêmica, com a imposição de voto diferenciado para cada categoria. A universidade federal nesta região tem um histórico de escolher seus dirigentes por voto universal, insurgindo-se sempre contra a legislação herdada da ditadura que impunha voto proporcional. Nossa compreensão sempre foi a de que cada cidadã e cidadão pertencente à comunidade corresponde a um voto, independente da categoria a que ela/ele pertença, conquista consolidada nas eleições brasileiras a partir do movimento das Diretas Já, tendo as primeiras eleições presidenciais, em 1989, como referência. Os casuísmos no interior da universidade levaram membros do CONSUN – sobretudo, membros que ocupam cargos na reitoria-, a proporem, em pleno 2016, que o voto de mais de 4000 estudantes equivalha ao de pouco mais de 200 técnicos e pouco menos de 300 professores, proposta que ninguém, em sã consciência, teria coragem de apresentar para qualquer outro espaço que se pretenda democrático. Chamam a isso de “voto paritário” num jogo desonesto com os significados da palavra: não há paridade alguma nessa relação. Uma avaliação inocente poderia levar a acreditar que isso daria maior poder para os servidores técnico-administrativos, jogando as categorias umas contra as outra, reforçando uma concepção corporativista e competitiva. O que essa situação traz para os técnicos é maior assédio, em nossa avaliação. Defendemos projetos de Universidade e não pesos de categorias, esse é o princípio que tem sustentado, historicamente, a defesa do voto universal, nesta universidade!

Outra questão típica dos “novos tempos” é a abolição de urnas eleitorais (eletrônicas ou não), de comissões receptoras, juntas apuradoras e fiscalização, atribuindo-se todo o trabalho eleitoral aos setores de informática. Qualquer questionamento a isso é interpretado como desconfiança em relação a tais setores técnicos, jogando-os contra quem se atreva a questionar. A votação e a apuração eleitoral se transformaram numa questão de fé no sistema, ao invés de um trabalho participativo de toda a comunidade universitária. Quando só nos resta dar um clique ou apertar uma tecla e apostar que o sistema é neutro, não sabemos de que participação, resistência ou democracia se está falando. Trata-se de um processo que não assegura a inviolabilidade do voto! Lembramos que a comunidade universitária recebeu um e-mail em que era demandado o recadastramento de senha. Em e-mail posterior, circulado em 22 de junho de 2016, o CTIC reconhece que o sistema fora invadido quando informa que ‘‘Foi detectada uma tentativa de roubo de informações por meio de um falso e-mail de recadastramento de senha. Alguns usuários receberam um e-mail informando uma ‘manutenção de nossos canais de serviço’, informamos que o CTIC não envia e-mails de recadastramento de senhas!’’. Isso mostra que, apesar dos avanços tecnológicos e dos benefícios por eles gerados para a comunidade universitária, assim como dos esforços e competência dos técnicos do setor, ainda não alcançamos a segurança exigida para a lisura de uma eleição! É preciso que fique claro que a preocupação não é quanto ao voto eletrônico, mas com a maneira como ele é implementado, não permitindo qualquer coleta de provas sobre fraudes, muito menos possiblidade de impugnação de urnas ou votos. Voto idôneo é voto em cabine indevassável!

Diante dos elementos que esta carta expõe à comunidade universitária, não reconhecemos esse processo eleitoral como legítimo. A situação imposta nos exige uma tomada de posição própria dos protagonismos em que se pautam nossas ações e nos obrigam a manifestar nossa rejeição, votando NULO no dia 06 de julho de 2016! Este é um ato político que tem por objetivo espelhar a insatisfação da comunidade universitária e demonstrar que somos contrários a esse processo! Abster-se, isto é, deixar de participar da eleição simplesmente não refletirá a realidade, pois os que assim optarem por indignação estarão diluídos entre os que preferem não fazer opções políticas por desinteresse e passividade.

Diante de um processo eleitoral orquestrado para não haver oposição e para legitimar apenas interesses individuais de quem não consegue lidar e enfrentar outras maneiras de pensar e de agir diferentemente das suas próprias, refletidas em toda sorte de autoritarismos impostos pelos seus apoiadores, é preciso deixar claro, por meio do VOTO NULO, que não há consensos nesta eleição, que não há unanimidade, como esperavam que houvesse, que não há apoio geral às manobras impostas à comunidade acadêmica desde o dia 18 de maio!

Portanto, conclamamos a todos que conseguem compreender o cenário imposto, para além de interesses pessoais, que votem NULO!

Assinam:

Acácio Gomes Neto – Discente –  Ciências Sociais/ICH

Adriana de Lima Santos – Discente – Direito/IEDS

Adriano dos Santos da Silveira – Discente – Ciências Sociais/ICH

Alana Pereira da Silva – Discente  – Ciências Sociais/ICH

Ana Rita Coelho – Discente  – Letras Português/ILLA

Ailce Margarida – Docente – FECAMPO/ICH

Ana Karoline G. de Farias – Discente – Engenharia da Computação/IGE

Ana Léia Bispo – Discente – PDTSA

Amintas Lopes – Docente – FECAMPO/ICH

Bruna Nascimento de Araújo – Discente

Carla Silva – TAE – FECAMPO/ICH

Carlos Eduardo C. de Araújo – Discente – Engenharia da Computação/IGE

Célia Congilio – Docente – FACSAT/ICH/PDTSA

Claudia Belo – TAE – ICE

Dainara Carvalho de Sousa – Discente – Ciências Sociais/ICH

Dháfany Rodrigues Sirqueira – Discente – Engenharia da Computação/IGE

Delcio Saraiva dos Santos – Discente – Ciências Sociais/ICH

Domingos Erivelton Santos – Ciências Sociais/ICH

Douglas Oliveira – Docente – FCAM/IEDAR

Edma Moreira – Docente – FACSAT/ICH/PDTSA

Elen Lima Ivo – TAE – FECAMPO/ICH

Eliana Borges – TAE – IEDS

Elitis Susana – Discente – Matemática/ICH

Elivelton da Silva – Discente – Ciências Sociais/ICH

Elizamar Pupio – Discente – PDTSA

Erik Siqueira Nogueira – Discente – Ciências Sociais/ICH

Fabio Leonato Oliveira Alves – Discente – Direito/IEDS

Fernandes da Silva Mendes – Discente – Ciências Sociais/ICH

Francisco Ferreira – Docente – FAMAT/ICE

Gilson Penalva – Docente – FAEL/ILLA

Gláucia Moreno – Docente – FECAMPO/ICH

Hildete Pereira dos Anjos – Docente – FACED/ICH/PDTSA

Igor Oliveira – TAE – FCAM/IEDAR

Ingrid Fernandes – Discente – PDTSA/ICH

Isaac Barros da Costa Moreira – Discente – Engenharia da Computação/IGE

Jackeline Sampaio Pereira – Discente – Engenharia da Computação/IGE

Janaína Aires – Discente – Ciências Sociais/ICH

Jesusmar Sousa Teixeira – Discente – Ciências Sociais/ICH

João Antônio Rocha Neto – Discente – Ciências Sociais/ICH

Joyce Gomes Melo – Discente – Ciências Sociais/ICH

João Imbiriba – TAE – IEDS

Jorge Ribeiro Santos – Docente – FADIR/IEDS

José Anchieta – Docente – FCAM/IEDAR

José Alves de Andrade – Discente – Letras Português/ILLA

José Pedro Martins – Docente – FACED/ICH

Júlio César Costa – Docente –  FADIR/IEDS

Junior Gleysson Gomes da Cruz – TAE – PROEX

Karolliny Oliveira – Discente – Direito/IEDS

Kátia Regina Silva – Docente – FAMAT/ICE

Laudimiro Pereira da Silva – Discente – Ciências Sociais/ICH

Liliane Batista – Docente – FAEL/ILLA

Luana Maria Cristina Souza – Discente – Ciências Sociais/ICH

Lúcia Cristina dos Santos – TAE – DIRENS/PROEG

Leonardo Brito – TAE – FECAMPO/ICH

Maclem Erane – TAE – PROEX

Marcelo Gaudêncio – Docente – FAGEO/ICH

Marcelo Melo do Santos – Docente – FECAMPO/ICH

Maria Cláudia Ribeiro da Costa – Discente – Ciências Sociais/ICH

Marizete C. Romio – Discente – Direito/IEDS

Milena dos Reis Rabelo – Discente – Ciências Sociais/ICH

Maura Pereira dos Anjos – Docente – FECAMPO/ICH

Mayara Vieira de Sá – Discente – Ciências Sociais/ICH

Narciso Soares – Docente – FAMAT/ICE

Naymara Ricarte – Discente – Letras Inglês/ILLA

Neusandra Correa Baião – Discente – Ciências Sociais/ICH

Nilsa Brito – Docente – FAEL/ILLA/PDTSA

Pablo Yujra – Docente – CAMSA/IEA

Rebeca Lopes Almeida – Discente – Ciências Sociais/ICH

Regina Barros – Docente – FADIR/IEDS

Rigler Aragão – Docente – FAMAT/ICE

Renata Soraia Guimarães – Docente – FAMAT/ICE

Roberta Crus Correia – Discente – Ciências Sociais/ICH

Rômulo Gomes da Silva – Discente – Ciências Sociais/ICH

Samara Farias – Discente – Ciências Sociais/ICH

Simone Contente – Docente – FACSAT/ICH

Soiti Tatximare Karaja – Discente – Ciências Sociais/ICH

Solange Ricarte – TAE – IEDS

Suely Oliveira – Discente – Letras Inglês/ILLA

Suzane Lima dos Santos – Discente – Ciências Sociais/ICH

Thayná Passos – TAE – PDTSA/ICH

Victorio Almeida Scarano – Discente – Ciências Sociais/ICH

Viviane Priscila Nascimento Fernandes – Discente – Direito/IEDS

Wanderley Padilha – Docente – FACSAT/ICH

Ywri Cortez – TAE – IEA/CAMSA

Adao Marcos Rocha Da Silva – Discente – Matemática/ICE

Alexandre Francisco Gatinho – Discente –  Matemática/ICE

Austria Rodrigues Brito – Docente – FAEL/ILLA

Brenda Nascimento Araujo – Discente –  Matemática/ICE

Bruno Almeida Da Silva – Discente –  Matemática/ICE

Carlos Roberto De Martin Almeida – Discente – Matemática/ICE

Claudio Jose Reis De Sousa – Discente – Matemática/ICE

Douglas Lopes Lima – Discente – Matemática/ICE

Edinalva Moraes Mano- – Discente – Letras Português/ILLA

Edson Sales Da Silva – Discente – Matemática/ICE

Everton Rodrigo Rocha Ferreira – Discente – Matemática/ICE

Jadson De Araujo Soares – Discente – Matemática/ICE

Joao Paulo Campos Ribeiro – Discente – Matemática/ICE

Kaio Warllen Teles Ribeiro – Discente –  FEMAT/ICE

Larissa Santos Barbosa – Discente – Matemática/ICE

Lorena Santiago Fabeni – Docente – FADIR/IEDS

Marcilene Feitoza Araújo – Docente – ICSA

Maria Célia Vieira da Silva- Docente – FCAMPO/ICH

Mariel de Jesus Teixeira – TAE – ICSA

Ricellio Da Luz Carvalho – Discente – Matemática/ICE

Roberto Campos – TAE – ICSA

Romenig Pereira Dos Santos – Discente – Matemática/ICE

Ronigleicy Oliveira Alencar – – Discente – Matemática/ICE

Samara De Araujo Alves Ribeiro – – Discente – Matemática/ICE

Tiago Alexandre De Oliveira – – Discente – Matemática/ICE

Movimentos Sociais:

Emancipa;

Juntos;

Debate e Ação.

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1 Comentário

  1. Jerrfeson

    1 de julho de 2016 - 19:43 - 19:43
    Reply

    E PORQUE NÃO FOI CRIADA UMA OUTRA CHAPA?? AO INVÉS DE PEDIR VOTO NULO?

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